quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ultimamente as palavras não me saem... Tenho as palavras contidas. É através da poesia que vou conseguindo exteriorizar o que aqui vai....Posto isto aqui vai....




Colhe o Dia, porque És Ele

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos.
No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos.
Colhe O dia, porque és ele.
Ricardo Reis
Não me sais do pensamento,
Não te esqueço nem por um momento,
Permanece aquele sentimento,
Que ha muito alimento...
Medo de o partilhar,
Medo de o demonstrar,
De nao ser retribuido,
De todo ele ser destruido...
E assim restaria a desilusão,
A ilusão...
De um amor, que um dia encheu meu coração....
Cathia Chumbo

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

The Temper Trap "Sweet Disposition"

Porque faz todo o sentido....

quarta-feira, 18 de agosto de 2010


Imagem by dreamspeak.deviantart.com

Somente o silencio me acompanha
Como uma paz sem o ser
Não só a alegria me estranha
Mas a tristeza já não tem porque aparecer
E o silencio acompanha-me
A par com o meu vazio, compreende-me
E eu, eu caminho apática

Mil e uma pessoas, mil e uma aventuras
E eu não quero nada, somente o silencio
Caminhar por mil e um caminhos, pequenas ruas
E na pele sentir o calor e o frio
Fazer tudo, atingir a sobrenatural calma
No entanto nada me olha, nada me chama
E eu, eu caminho apática

Os sonhos deixaram de existir
Mas não lhes sinto a falta
Agora caminho observando, sem nada sentir
Mas não necessito, nem disto fico farta
Sou somente o que era suposto ser
E até ao dia que morrer
Eu, eu caminho apática
In "simplespoemas.blogs.sapo.pt"

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Estou Cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto — Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos, in "Poemas"

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Zero 7 - Distractions

"I only make jokes to distract myself from the truth...."